eBOOK - PBPI - Projeto Base de Plantação de Igrejas


Índice

03 – Prólogo

11 – I – Determinando o norte

17 – II – Igrejas plantam igrejas, não a MEAN e as MEARs

25 – III – Autofagia eclesiástica

34 – IV – A força do leigo na plantação de igrejas

40 – V – Mudar os paradigmas não é clichê - é imprescindível

46 – VI – Intenção demais; ação de menos

56 – VII – Ciclo virtuoso de Mateus 28.18-20 para a plantação de igrejas

62 – VIII – A estratégia 4x4x4 para a plantação de igrejas

68 – IX – Plantar igrejas sem dinheiro, sem pastor e sem templo

76 – X – A importância da igreja-mãe para a plantação de igrejas

 

 Prólogo


 

 

Penso que, como Pastor da ICEB - Igreja Cristã Evangélica do Brasil, devo colaborar com os anseios da minha Denominação no que se refere aos caminhos para termos novas igrejas, plantadas de forma contínua, saudáveis, bem doutrinadas e que venham a ser o motor de uma visão revolucionária com respeito à expansão do Reino de Deus pela evangelização e pela retroalimentação de novas igrejas plantadas em um ciclo virtuoso.

Já são mais de 30 anos de Ministério Pastoral e estas reflexões advém desta experiência em campos de ministério desde o período de Seminário, pelos estágios experimentados em nossas igrejas denominacionais, até experiências missionárias, com impactos de curto tempo, nacionais e transculturais. Também, advém dos períodos de pastoreios locais na Regional de São Paulo e da colaboração nas diretorias regionais de MEAR - Mesa Executiva e Administrativa Regional, com mandatos de Presidente e Vice-Presidente e de Ministérios regionais, como o Missionário e o de Jovens, bem como colaborando como idealizador, coordenador e professor da extensão de ensino teológico CTM - Curso Teológico por Módulos, plantada por nosso SETECEB - Seminário Teológico Cristão Evangélico do Brasil em São Paulo, que por anos formou líderes e pastores para as igrejas locais e missionários para o campo, e a grata experiência de lecionar no IBB - Instituto Bíblico Brasileiro, quando este estava estruturado na nossa IC Paulistana, em São Paulo, sob a direção do pr. Jair Pintor.

Assim, após estes anos e experiências, acredito que Deus concedeu-me a oportunidade de colaborar com uma de nossas igrejas locais (ICE Vila Santa Isabel, pr. Vardoeste Ferreira) na plantação de uma nova igreja na cidade de São Paulo, Zona Leste, numa comunidade do bairro Vila Antonieta, iniciada por meio de ação de impacto social pela igreja-mãe que, vislumbrando o crescimento rápido do número de atendidos, percebeu a oportunidade de ter ali uma igreja organizada.

Desta forma, estamos cuidando daquelas almas tão preciosas para o Reino de Deus, processando neles uma Metanoia para que sejam integrados à realidade do que é, de fato, participar do corpo de Cristo como igreja espiritual e como igreja local; de um lado celebrando a universalidade (1 Coríntios 12.27) e, de outro, engajando-se na justa cooperação de cada parte (Efésios 4.16).

Também discorrerei sobre as experiências pastorais nas Igrejas no que interessa para análise da visão de preparação de uma igreja local para a evangelização e abertura de novos trabalhos, e darei especial destaque à experiência de evangelização após sair da ICE Jabaquara, e que vislumbrava a plantação de uma nova igreja. Inclusive, esta experiência resultou em promissor laboratório para a compreensão e consolidação das etapas do Projeto Base original, e tratarei dos motivos que resultaram na sua descontinuidade, para suscitarmos reflexão crítica ao que chamo de burocracia regional no processo de plantação de novas igrejas em São Paulo.

É nesse contexto que a visão do PBPI para a ICEB - Projeto Base de Plantação de Igrejas para a Igreja Cristã Evangélica do Brasil, surge e cria formas, como a visão do homem macedônio de Atos 16.9.

É evidente que uma Denominação de dimensões continentais, com diversidades regionais e heterogênea em sua essência local, não pode pretender somente um método de plantação de igreja, correndo o risco, assim, de um engessamento das multiformes potencialidades que tem.

Entretanto, defenderei, convictamente, que não podemos abrir mão de um norte, de um referencial, mesmo que se nos apresentem os mais variados métodos e estratégias. Há uma necessidade de definirmos um caminho por, ao menos, uma década, contemplando desde uma proposta teórica duplicável até uma Secretaria Nacional com autonomia para gerir e canalizar os anseios que resultarão nesta guinada com relação ao que virei a propor.

Sim, estou afirmando que apresento um Projeto à ICEB, totalmente duplicável e viável para multiplicarmos, simultaneamente, novas igrejas plantadas que tragam consistência doutrinária, integração denominacional, visão multiplicadora e que não necessitem de nenhum investimento comprometedor que venha a se tornar uma bomba relógio de posterior manutenção financeira.

É certo que, como pastor denominacional, posso analisar criticamente o estado denominacional no que tange a Plantação de Novas Igrejas. Também posso apresentar métodos, estratégias e propostas que, respeitando as divergências, venham possibilitar um senso crítico público e contra-argumentos que discutem um fórum de debates, se assim convier. Ou, simplesmente, ser uma voz dissonante no emaranhado de boas intenções das mais variadas experiências de colegas de ministério. O que importa é não deixar passar a oportunidade de expressar a colaboração pretendida com esta visão.

Enquanto trabalho no campo, produzindo edificação de uma nova igreja na prática, começo a colaborar também na teoria com artigos banhados em temor e oração, e sedimentados nos princípios bíblicos.

A intenção é suscitar reflexão honesta e coerente com os relacionamentos cultivados no bojo do respeito entre colegas de ministério sem abrir mão das convicções que me motivam nesta empreitada. Estou certo de que o processo deste trabalho será muito edificante e promissor para o Reino.

A Ele toda honra e glória!

Vosso conservo,


Pr. Geraldo H A Santos - pastor da ICEB

  


I - Determinando o Norte

 

 

 

Uma frase que me impactou desde o primeiro momento é "se você não sabe para onde ir, não saberá o que levar nem com quem deve ir". Não sei quando criei este moto, aliás, já o utilizo a décadas, sendo minha referência mais remota a primeira aula no SETECEB quando o Reitor, Rev. João Batista Cavalcante, pediu que escrevêssemos como nos imaginávamos nos próximos 5 e 10 anos.

Este exercício eu o tenho comigo, sempre projetando 5 e 10 anos, percebendo o quão valioso se faz estes projetos, desde que sejam mensuráveis e exequíveis, regados por um Planejamento Estratégico e autoavaliação constantes. Assim, já estou no 4º. procedimento. Inclusive, a segurança e intrepidez para elaborar este Projeto é fruto desta etapa da vida e não poderia ser em período anterior.

Então, a bagagem acumulada ao longo das experiências de Ministério somadas às superações da vida são pilares que me nortearam quando iniciei outra etapa de 5 e 10 anos, como agora, de 51 a 60 anos. A graduação em Direito e cursos de Coaching reafirmaram a importância de ações planejadas e que possam ser medidas, contadas, comparadas, tabeladas e desenhadas.

Fiquem tranquilos, pois não me esqueci de Provérbios 16.1, sabendo que todo planejamento humano deve estar sujeito à vontade e aos desígnios de Deus. O que importa é que nos cabe planejar! Assim, nos comprometemos com as causas e suportamos os fatos.

Voltando-se para a visão de plantação e crescimento numérico de novas igrejas patrocinada pela Diretoria Denominacional da ICEB - MEAN, é fundamental que haja um norte, um rumo, um alvo, mensurável e exequível, didático e duplicável, publicado e tangível, desonerado e envolvente, adaptável e seguro, conduzido, sim, mas sem causar ingerência e sem cobrar obrigação alheia, empolgante sem ser raso, embasado doutrinariamente com amplo respaldo literário, sem vícios de costumes, mas integrado à historicidade denominacional.

Determinar um modelo não significa desqualificar outros, tampouco dogmatizar um método ou reverenciar apenas uma estratégia. Antes, é dar um sinal de que a Diretoria tem uma visão de similitudes dentre as igrejas e Regionais, considerando um pleno conhecimento do seu potencial geral e ordenando ações conjuntas que alimentem um banco de dados que ofereça exatamente informações que, analisadas, possam ser propulsoras de mudanças e confirmações adequadas ao que determina o Planejamento Estratégico, além de ser ultra temporal, ou seja, extrapola os limites do mandato de uma Diretoria e se blinda quanto à possível inoperância de uma sucessão.

Entrementes, alimentasse o Banco de Dados com outros modelos sugeridos e aplicados, possibilitando o cruzamento de informações e a perfeita distribuição de recursos e esforços.

Eu não quero desprezar nenhum modelo de Projeto, antes, incentivá-los. Todavia, meu objetivo é defender o PBPI como um possível e factível norte denominacional, livre de qualquer pretensão jactanciosa, mas entendendo que sua simplicidade e embasamento bíblico o qualifica para tal, e os argumentos seguintes têm o propósito de colocá-lo à prova comparativa e diante de críticas que o ajudem a ser mais bem desenhado.

Tenho convicção de que a ausência de um projeto como norte, seja o PBPI ou outro designado, é campo fértil para a inação e semeadouro de demagogias e distração e dispersão quanto ao uso de recursos, que se mostram escassos sempre.

A Diretoria da MEAN deve conduzir autocrítica quanto ao tema e lançar os pilares para uma consulta direcional para a próxima década, ao custo de não saber nem os motivos para sermos como somos e quanto somos.

 

 

II - Igrejas plantam Igrejas, não a MEAN ou as MEARs

 

 

 

Na história da ICEB há igrejas que facilmente nos vêm à mente quando o assunto é plantação de novas igrejas.

Para não alongarmos demais nossa lista, destaco duas delas: a ICE Central de São José dos Campos SP e a de Palmeiras GO. São inúmeras cidades e bairros alcançados pela visão e ação dessas igrejas no propósito de sustentarem a abertura de novos campos. Mas, por que estas ações, tão intensas, não se propagaram nestes últimos 30 anos?

Vejamos o outro polo da nossa história. Foram as MEARs e a MEAN, neste período de 1991 a 2020, as que mais tomaram a iniciativa de Projetos de abertura de novos campos.

Em São Paulo, entre 1971 e 1990, tivemos duas iniciativas. Uma com o Missionário Estevan Veness que plantou igrejas no bairro do Parque das Nações, na capital, e na cidade de Franco da Rocha, Grande São Paulo. Outra iniciativa está na região da Praia Grande, onde a ICE Boqueirão, com uma visão e ação destacada de um membro, Roberto Shoji, abriu os campos de Vila Antártica e Curva do S.

No plano Nacional, na década 2001-2010 a MEAN promoveu a maior iniciativa denominacional já vista, com respeito a plantação de igrejas, chegando a dezenas de campos simultâneos, com obreiros em cada campo. Com Manutenção advinda de uma coordenação nacional e muito recurso missionário advindo da Editora Cristã Evangélica, formou-se uma bolha que acumulou algumas displicências de obreiros nos seus campos, simplesmente não produzindo nada nos anos que estiveram no campo, embora recebendo os subsídios mensalmente, além de um cronograma de autossuficiência incapaz de construir ministérios com independência financeira, aliás, constatou-se que este cronograma não estava amarrado a nada e a ninguém, apenas a MEAN, isto é, eram campos que não estavam sob coordenação de MEARs. A bolha estourou e alguns desses campos foram descontinuados e outros alocados em Regionais que precisavam assumir sua coordenação e custos, com a MEAN investindo por mais alguns anos seguintes.

Em São Paulo, com a organização regional do caixa da MEAR, com o setor EXPANDIR recebendo destinação mensal de verba obrigatória, criou-se a cultura de que a MEAR encabeçaria e endossaria o projeto regional de plantação de um novo campo.

Com a maioria de suas igrejas com dificuldades para crescerem internamente e subirem sua classificação de qualidades, os anseios de novas igrejas se limitaram ao que a MEAR ditaria, inclusive até hoje, e teria para oferecer. Será difícil uma igreja em São Paulo se habilitar para a plantação de uma nova igreja se se estabelecer um cronograma curto de investimento da verba da MEAR para a estruturação e manutenção deste novo campo, pois as igrejas, em 50 anos em São Paulo perderam o foco da multiplicação e lutam, intensamente, pela própria manutenção.

A MEAN não pode e não deve mais se apresentar como mantenedora de projetos de plantação de igrejas locais e deve orientar que suas MEARs assim também o sejam. Antes, deve ser promotora de visão, capacitação, validação de uma METANÓIA denominacional, que através de literatura, mídias, intranet, fóruns, congressos, convenções e pela definição de uma Secretaria Nacional para Plantação de Igrejas, promover uma visão com formação regionalizada para líderes e membros locais mesclada com formação por EAD nacional, com um programa longo de gerenciamento de dados.

Este programa denominacional precisa focar na preparação de igrejas, na mudança de suas mentes e visões. A MEAN precisa concentrar o seu melhor recurso e argumento para alcançar pastores e presbíteros, combinando ações com as MEARs. Será um desafio hercúleo! Precisa existir um Planejamento Estratégico bem definido para isso.

Podemos destacar alguns passos básicos nesta nova fase:

1. Propalar, em alto e bom som, que não serão mais atribuições de MEAN e MEARs de abrirem novas igrejas.

2. Que os recursos destas devem ser para conscientização de um novo programa que retorne aos primeiros anos de ICEB quando igrejas plantavam novas igrejas.

3. Estruturar a Secretaria Nacional e esta as Secretarias Regionais para coordenarem ações e montarem um banco de dados.

4. Definir um projeto nacional para plantação de igrejas e oferecer variações de projetos outros que atendam às necessidades da heterogeneidade denominacional, porém, todos os dados são canalizados nas Secretarias.

5. Imediata disponibilidade de programa de treinamento e capacitação das igrejas, por cursos presenciais regionais e EAD nacional, mídias (YouTube, Facebook, Instagram, Whatsapp e outras), literatura específica, currículo educacional específico pela Editora, Fóruns presenciais e online, Congressos, Convenções Nacional e Regionais.

6. Canalização dos recursos financeiros e humanos a curto, médio e longo prazos.

7. Uma só linguagem. Uma só visão. Um só foco.

Não há outro caminho. Ou a ICEB retorna às origens, e posso afirmar, ao princípio bíblico de abertura de novas igrejas ou correremos o risco de sofrermos grande impacto de descontinuidade vocacional ministerial e missionária, de liderança autóctone, de visão de multiplicação, de evangelização, enfim, de valores tão sólidos que o texto bíblico nos traz.

A Década 2021-2030 precisa ser para o retorno às origens bíblica e histórica de nossa Denominação.

 

 

III – Autofagia Eclesiástica

 

 


A próxima década será decisiva para a vocação ministerial em nossa Denominação e para a existência de nosso SETECEB e, por consequência, para a formação teológica pastoral.

Sem nenhuma pesquisa de campo, podemos conjecturar alguns dados e compará-los com o passado recente, em especial de 2011 até este ano 2020. Assim, teremos uma projeção para 2021 a 2030.

Se pensarmos que formamos para o ministério pastoral, pelo SETECEB, ao menos 5 alunos por ano (aqui já descontei os vocacionados para missões e para educação cristã), teremos no ano de 2020, fechando a década 2011-2020, um número de 50 novos candidatos ao pastorado na ICEB. É só uma estimativa. Se quiserem, podem ser mais exatos e buscar o número junto à Instituição SETECEB.

Mas, temos que pensar nos formandos em CTM que vislumbram o pastoreio e os que se formam em outros Seminários, como em São Paulo, com a diversidade de cursos teológicos que se apresentam como alternativa para aqueles que não saem da capital paulista, mantendo suas atividades de trabalho e estudos, bem como mantendo a estrutura familiar. Aliás, de São Paulo e São José dos Campos, duas Regionais no Sudeste, no Estado de São Paulo, já não saem tantos vocacionados para o curso pastoral no SETECEB, nem por isso esgotou-se a vocação pastoral, absorvida pelos bons Seminários regionais.

Agora vamos responder a uma pergunta chave: abrimos 50 novas igrejas de 2011 a 2020 para atender, ao menos, os formados em teologia pastoral do SETECEB? (Se alguém perguntou o número exato ao SETECEB pode corrigir também o número de igrejas mantendo a equivalência.). A resposta é um sonoro NÃO.

Se voltarmos mais no tempo mantendo esta equivalência, de 2001 a 2020 seriam 100 formandos pelo SETECEB em teologia pastoral. Então, perguntamos: abrimos 100 novas igrejas neste período? De novo, NÃO.

Hoje somamos, mais ou menos, 290 igrejas/congregações, e a pergunta é: para onde foram todos estes formandos de SETECEB, CTM e outros Seminários? Respondo agora, mas vou antecipar uma outra pergunta: neste ritmo, como será, na próxima década 2021-2030, a absorção dos próximos formandos em teologia pastoral, se não abrimos sequer 50 igrejas por década?

Então vamos considerar algumas respostas possíveis à pergunta "para onde foram estes formandos":

1. De 2001 a 2020, os formandos em teologia pastoral foram absorvidos pelas igrejas já estabelecidas, aumentando o quadro de obreiros nas igrejas, atendendo assim a áreas de Educação Cristã (área essa historicamente preenchida por formandas em Educação Cristã). Também podem ter sido alocados em ministérios específicos, como: pastores de jovens, de adolescentes, da melhor idade, de música, de casais etc. Entretanto, quantas igrejas puderam fazer isso mantendo a remuneração dos obreiros dignamente?

2. Alguns voltaram para suas profissões seculares e são apenas colaboradores nas suas igrejas locais, sem remuneração e sem registro ministerial. Mas, será que esse era o projeto de suas vidas quatro anos antes?

3. Alguns simplesmente abandonaram a vocação pastoral e têm agora somente um curso teológico no currículo.

4. Será que alguns foram para outras denominações?

5. Tivemos alguns falecidos.

6. Atenção: cabe aqui sua participação colaborando com alguma resposta.

Vamos considerar os argumentos 1 e 2 para discorrermos sobre o tema do artigo "autofagia eclesiástica".

É sabido que há uma concentração ilógica de obreiros nas igrejas locais, ocupando liderança e conduzindo o rebanho, saturando o ministério leigo com lideranças acadêmicas, inibindo dons e retraindo a formação de líderes autóctones. Sim! "Profissionalizamos" a cadeira de líderes de áreas antes ocupadas por pessoas comuns, formadas na EBD, com seus talentos naturais e profissionais aprendidos na vida.

Este quadro já está saturado nas igrejas, pois as que podiam trazer mais obreiros já o fizeram. São poucas, grandes, com mais condição financeira, porém não conseguirão absorver mais 50 obreiros, no mínimo, na próxima década.

Vejamos os efeitos que se armam como uma bomba relógio pronta a ser detonada:

1. Autofagia eclesiástica;

2. Troca de obreiros antigos “mais caros” por obreiros novos “mais baratos”;

3. Aumento de obreiros (com tempo de ministério) na fila de espera;

4. Descontinuidade do CTM nas Regionais;

5. Desestímulo à vocação pastoral nas igrejas (já está em plena evidência);

6. Escassez de líderes naturais formados nos bancos das igrejas;

7. Criação de nichos de pastoreio num mesmo rebanho;

8. Perda da Identidade Democrático-Representativa e crescimento de identidades, do tipo, episcopais e sinodais pela concentração de clérigos.

Estes são sinais que devem ligar o alerta amarelo da MEAN e MEARs, e levar a ações de conserto de rumo.

Dentre estes tópicos, vou me deter no primeiro, pois um ambiente que concentra grande quantidade de pessoas, formadas academicamente para exercerem liderança pastoral, é campo fértil para secções e comparações de estilo e de práticas de liderança.

Dizem, popularmente, que quando há "muito cacique pra pouco índio" sempre o ambiente deteriora. Muitos com formação teológica num mesmo lugar é potencial para disputas e afinidades indevidas. A formação teológica pastoral é para ser exercida como liderança sobre o rebanho. Neste caso, o colegiado pode ser um caminho contra a coesão.

Não sou contra colegiados. Os que conseguem superar os obstáculos são muito bem-sucedidos. Só estou afirmando que a desvirtuação leva à autofagia e essa à dissolução.

Somos chamados não para igrejas aumentadas, mas para igrejas multiplicadas.

 

 

IV – A força do leigo na Plantação de Igrejas

 



O PBPI tem seu pilar no envolvimento de famílias leigas na promoção do Evangelho a partir de uma visão da Igreja Local que, por seu Pastor e Presbíteros, conduzem uma reação favorável de toda a igreja ao IDE de Jesus.

Após Pastor e Presbíteros definirem, em oração e com base na Palavra estudada exaustivamente que, de fato, estarão à frente da ação de uma nova igreja, dá-se a divulgação à congregação, do Projeto com seus detalhes, que recebe o desafio de orarem juntos e terem uma série de mensagens que corroboram o IDE. Depois de um período determinado, faz-se a consulta pública para se ter a confirmação da congregação.

Em sendo aprovada a iniciativa, lança-se o desafio de chamado às famílias que serão engajadas no programa, sempre com a orientação de que duas famílias trabalham em equipe numa BASE, nome dado ao núcleo de evangelização, e com as características fundamentais requeridas destas famílias, como: casais com filhos, todos crentes e envolvidos na igreja, que demonstrem bom conhecimento bíblico e participação frequente nos trabalhos da congregação, que sejam dizimistas fiéis e tenham aprovação do Conselho Espiritual.

Dá-se um prazo para reuniões de oração com estudos da Palavra que embasem o desafio às famílias. Estas se apresentarão diretamente ao Pastor que consultará o Conselho de Presbíteros. Tem-se então a definição de, ao menos, duas famílias para a primeira Base. Mais pares de famílias formarão novas Bases, o que pode ser simultaneamente.

Quando se tem as Bases definidas é hora da capacitação das famílias. Com um programa de treinamento definido, o PBPI é explicado detalhadamente, os materiais de estudo bíblico são apresentados, as revistas da Editora Cristã Evangélica entregues, os Formulários e Relatórios são explicados. A agenda de encontros é definida. É um tempo de treinamento sem pressa, deixando as famílias bem seguras.

Ao darem início à Base, os encontros são feitos inicialmente entre as duas famílias, e elas já tomam a iniciativa de convidarem amigos e vizinhos para estes encontros. São reuniões informais, organizadas segundo a orientação do PBPI. São alternadas nos lares e o foco sempre é o convidado com vistas a levá-lo a compreender sua necessidade de salvação e compromisso com Cristo.

Os resultados são solidificados na doutrina inicial e, na medida do possível, integrados na igreja-mãe, primeiramente em eventos festivos da igreja, depois em reuniões e cultos ordinários. A igreja recebe o visitante naturalmente sem nenhuma cobrança ou pressão de participação. Mantem-se os encontros da Base.

Embora os encontros nas Bases se pareçam com os tradicionais Grupos Pequenos ou Familiares, não é para se ter a participação de outros crentes nas reuniões. Convites especiais são feitos ao Pastor e Presbíteros para palestras de temas especiais. Conforme permitam, os novos frequentadores abrirão suas casas para os encontros.

Todo o material de Estudo já está previamente definido. Relatórios são preenchidos sem que tomem a atenção nos encontros e apresentados nas reuniões mensais ou bimestrais com o Pastor e Conselho de Presbíteros. O programa do PBPI é seguido progressivamente.

A Base é acompanhada sistematicamente pelo Pastor e Presbíteros e, à medida que o programa é executado, vai-se evidenciando a oportunidade de ser uma nova congregação ou simplesmente haverá uma integração dos novos convertidos na igreja-mãe. Com isso afirmo que nem todas as Bases serão uma nova igreja plantada; algumas simplesmente atrairão novos convertidos a Cristo e estes serão membros ativos na igreja-mãe. Não há problema algum se isto acontecer.

Há uma tranquilidade na igreja-mãe quanto à perspectiva de ter uma nova congregação enquanto as Bases vão operando, lembrando que a visão de serem uma congregação já está no programa do PBPI desde os primeiros encontros, e a disposição de serem o que a Base mesmo tiver potencial para ser, dependendo o mínimo, ou quase nada, de recursos da igreja-mãe.

Assim temos um laboratório, um nascedouro, um viveiro, que traz toda a segurança para se vislumbrar uma nova congregação.

 

 

V – Mudar os paradigmas não é clichê - é imprescindível

 



Por inúmeras vezes já ouvimos ou lemos sobre quebrar e mudar paradigmas. Também é comum a expressão "sair da zona de conforto". Estas são atitudes que não são um clichê neste assunto.

Já há muitos anos estamos com iniciativas pela MEAN e pelas MEARs para abertura de novos campos. Este paradigma instalado trouxe seus resultados, mas creio que estamos desviando do propósito bíblico para a expansão do Evangelho.

Precisamos retornar para o modelo original de plantação de igrejas, bíblico e histórico na ICEB, que é igreja abrindo igreja, utilizando-se dos seus maiores recursos que são seus membros locais e sua liderança local.

Não quero com isso sugerir todo o cancelamento dos programas denominacionais. Vejamos algumas formas que usamos e que se tornaram padrão para as nossas ações:

1. Investimento direto da MEAN com programa de redução programada a cada ano.

2. Parceria MEAN-MEAR com coparticipação escalonada.

3. Ação direta da MEAR abrindo e mantendo o campo.

4. Consórcio de igrejas coordenado pela MEAR ou pela igreja-mãe.

5. Campanha nacional para compra de terreno e construção do templo.

6. Definição do pastor que abrirá o campo.

7. Dependência de alto sustento por muitos anos.

8. Precisa dar certo, caso contrário proporciona alto grau de frustração.

Não é difícil notar as diferenças com o PBPI:

1. MEAN e MEAR não investem na nova igreja.

2. Não há consórcio de igrejas.

3. A igreja-mãe não se preocupa com recursos para terreno nem templo.

4. Mesmo tendo obreiros formados na igreja, não necessariamente começa a nova igreja com eles. Contratar um obreiro para isso não é prioridade.

5. O começo é nas casas e assim será até que o grupo de novos crentes, de acordo com as avaliações e aprovações do Conselho Espiritual, sintam a necessidade e a oportunidade de alugarem um local para suas reuniões a partir do segundo ano, e isto após a convergência de vários fatores.

6. Não se prioriza compra de terreno e construção (por sinal, inviável nos grandes centros por seus altíssimos preços e pesada legislação). O PBPI sugere que, quando chegar o momento, sejam alugados espaços para reuniões.

7. Como é um viveiro, se os resultados da evangelização forem tão pequenos em número de convertidos, nada é lamentado, pois a integração na igreja-mãe já está feita, e isto já é sabido desde seu planejamento inicial. Assim, não há nenhuma frustração nem sentimento de fracasso.

8. No planejamento inicial, o Conselho já define se se pensa em nova igreja ou se a Base será para integração de novos membros na igreja-mãe, podendo ser adaptado com a evolução do projeto.

É interesse saber que uma igreja pode preparar seus membros para serem testemunhas ativas do Evangelho. Aliás, este não é o mandamento bíblico?

 

 

VI – Intenção demais; ação de menos




Para este artigo, vou apresentar minha experiência junto a MEAR SP. Os fatos narrados foram organizados por décadas devido à falta de certeza em datas e anos específicos. A narrativa tem o objetivo de constatar o descompasso entre Intenção e Ação no que se refere à Plantação de Igreja pela MEAR SP, que é o exemplo agora (cada MEAR pode criar seu próprio cronograma).

A análise crítica não me exclui de ser parte da responsabilidade deste descompasso construído. E sou parte também destas intenções, elaborando junto com os colegas nosso programa. Queríamos muito que fosse um programa de resultados seguros e contínuos, porém resultou em burocracia desnecessária e confusa. Agora, juntos, temos que ter coragem de aprender com as experiências e dar um passo a mais.

Por causa de boas intenções a Regional de São Paulo - MEAR SP contabiliza apenas duas igrejas abertas em 30 anos, sendo o campo de Francisco Morato, na Grande São Paulo, fruto de adoção, pois o trabalho desenvolveu-se sem ação de igreja da Capital, fruto de irmãos que moravam naquele município. Levamos duas décadas para proporcionar um templo naquela cidade. Fato é que depois de 30 anos, o campo continua com status de Congregação e não de igreja emancipada. Também o campo em Caiçara, na região da Praia Grande SP, mesmo com o planejamento inicial pela Regional, ainda é congregação da igreja-mãe há mais de uma década. Nestas 3 décadas, a Regional ainda transferiu o campo de Tupã para ser conduzido pela MEAR VP, e numa troca denominacional, transferiu o campo de Xique-Xique na Bahia para a MEAR DF e recebeu, aos seus cuidados, o campo de Florianópolis, da MEAN. Efetivamente, com respeito a Plantação de Igrejas, contamos uma igreja plantada em 30 anos de Regional São Paulo. Vejamos um pouco da cronologia que marca as intenções e ações desta MEAR SP.

Como explicado, famílias em Francisco Morato começaram reuniões na década 1991-2000, sendo adotados pela ICE Mandaqui. Na década seguinte 2001-2010, houve a coordenação na Regional para a compra do terreno e a construção do templo.

É também na década 1991-2000 que, na primeira experiência que tivemos na Presidência da MEAR SP (2 anos neste período), promovemos um mapeamento de todas as igrejas regionais classificando-as por A, B, C e D, com o objetivo de, em uma década, levarmos as igrejas D para C, estas para B, e estas para A, num programa de reestruturação das igrejas. É também nesta década que conseguimos, na Presidência Regional, instalar o CTM em São Paulo com vistas a dar formação teológica aos nossos líderes e membros de igrejas para serem o suporte desta reestruturação das igrejas da Regional. Por mais de uma década formamos várias turmas, entregando às igrejas muitos formandos para o exercício do ministério local.

Na década de 2001-2010, em nossa segunda experiência na presidência da MEAR SP (um ano como vice, assumindo por mais um ano a Presidência devido à mudança do Presidente para outra cidade), começamos a organizar o orçamento com classificações específicas de verba no caixa com nomes como: verba EXPANDIR (para abrir igrejas) e verba ESTRUTURAR (apoiar igrejas estabelecidas a superarem deficiências). Assim, com a verba EXPANDIR, nesta Presidência, lançamos o desafio de um novo trabalho, e os primeiros recursos foram destinados a mapeamento de campo por empresa especializada, treinamento e capacitação da igreja-mãe, fóruns sobre o tema, e fechamos com a igreja-mãe ICE Boqueirão (Praia Grande SP) para abrirmos o campo em Caiçara, bem como os prazos de coparticipação de investimentos para a manutenção do campo, que foi prorrogado posteriormente algumas vezes. Ainda nesta década, 2011-2020 o campo continua sendo Congregação, vinculado à igreja-mãe ICE Boqueirão (Praia Grande).

É em 2001-2010 que o campo de Xique-Xique, na Bahia, foi transferido para a MEAR DF e assumiríamos um campo mais próximo, no Sul do país, em Florianópolis SC, para continuidade de trabalho que já vinha sendo coordenado pela MEAN, há 6 anos, para levá-lo a emancipação e ser alvo de abertura de outras igrejas no Sul.

Somente a verba de ESTRUTURAR poderia ser usada, sendo esta verba menor que EXPANDIR, pois como já era igreja plantada não entrava na classificação regional de iniciar nova igreja. O fato é que a verba ESTRUTURAR atendia muitas necessidades de igrejas regionais que, posterior à primeira classificação feita na década de 1991-2000, encontravam-se, não em melhores condições, mas em situação mais precária que o primeiro levantamento. Assim, somente na década seguinte, 2011-2020 foi adquirido terreno em Florianópolis e construído o templo, com muito maior aporte da MEAN do que, efetivamente, da MEAR SP.

Enquanto isso, encerrava-se a coparticipação da MEAR SP junto ao campo de Caiçara, nesta década de 2011-2020. Então, recomeçamos a guardar recursos para novo campo que carece ainda de pesquisa inicial para definir igreja-mãe e onde será plantado.

Fato é que o conceito de EXPANDIR perdeu-se com o tempo e os recursos continuam sendo usados na Congregação ICE Francisco Morato, 30 anos depois, além de serem usados em propósitos que não têm nada a ver com plantação de nova igreja.

Além disso, não houve todo um planejamento para se incluir nestas verbas da MEAR os novos campos da segunda igreja em Florianópolis e a plantação de uma igreja na Vila Antonieta SP; simplesmente aconteceram e recorreram às verbas da MEAR.

É nesta década de 2011-2020 que foram encerradas as atividades do CTM em São Paulo.

Esta narrativa expõe a morosidade que temos na MEAR SP quanto a Plantação de Igreja. A ação de investir em nova igreja acusa o que eu estou disposto a contra-argumentar no PBPI, de que precisamos, urgentemente, questionar este paradigma e propor uma nova iniciativa para solucionar o que considero intenção de mais e ação de menos.

O fato é que voltamos a falar, na MEAR SP, em focar em estruturar igrejas, pois quase 30 anos depois da primeira classificação em igrejas A, B, C e D, encontramos um quadro muito mais preocupante agora. O projeto EXPANDIR está sufocado pela frágil estrutura de nossas igrejas atualmente e a direção Regional é refém da tese de que primeiro temos que estruturar para depois expandir, e os fóruns e temas abordados dão embasamento a esta postura.

Depois de toda esta experiência cronológica apresentada, quero destacar novamente a ICE Vila Santa Isabel, do pr. Vardoeste Ferreira, que nos convidou para transformarmos um trabalho social no bairro de Vila Antonieta, Zona Leste, em uma igreja.

Mesmo que já seja conhecida pelo nome de ICE Vila Antonieta, as características do campo tornarão este projeto de ser igreja estabelecida e emancipada, com eclesiologia definida e requisitos denominacionais mínimos, um trabalho de alguns anos e muito foco.

Com os anseios e andamento que a igreja-mãe tem com o campo, e por suas características iniciais de evangelização, não é possível adequar-se ao PBPI, sendo aplicadas outras estratégias para este propósito.

Enfim, precisamos de um novo paradigma ou amargaremos mais 20 anos para termos mais uma igreja plantada na maior Capital do País, de forma que quando e por qual igreja-mãe nem sabemos ainda. Deus nos dê coragem e intrepidez.

É tempo de sair de nossa zona de conforto.

 

 

VII – Ciclo virtuoso de Mateus 28.18-20 para a Plantação de Igrejas




"Então, Jesus aproximou-se deles e disse: ‘Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu ordenei a vocês. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos’."
Mateus 28:18
-20 NVI

Quando se pensa em Plantação de Igrejas vem à mente uma dezena de projetos e estratégias já testados e publicados, o que suscita imediatamente a pergunta: "Precisamos de mais algum ou deveríamos aproveitar os que aí estão?".

Na verdade, eu sou a favor de que qualquer igreja, organização ou denominação sempre mescle as teses existentes e crie a sua própria. Enfim, projetos e estratégias devem ter a alma de quem as aplica, uma identificação natural e pessoal.

Não se concebe pacotes prontos e comprados com lacre e implantados em contextos totalmente distintos de seu nascedouro. As teses devem estar abertas, disponíveis e sujeitas a adaptações frequentes. O que é melhor para um, pode não ser ideal em outros ambientes.

Vou desenvolver uma tese sobre plantação de igrejas e sei dos desafios que cercam a iniciativa e estou ciente de que apenas serei um colaborador, ora para aceitação ora para execração. Quero apenas colaborar!

Os princípios que embasam e norteiam a Plantação de Igrejas não são novidades e sua autoria é divina. O que fazemos é aplicar nossa ótica e experiência para melhor propor uma práxis. Mas, já estão postos.

Aqui e acolá vejo inversões na ordem de aplicação destes princípios, propositais ou não. Então, deixarei aos entendidos sua defesa. Vou me deter ao texto bíblico e acreditar que havia um propósito básico quando Jesus apresentou esta sequência: IR - FAZER DISCÍPULOS - BATIZAR - ENSINAR. Eu chamo de CICLO por considerar sua retroalimentação natural.

É importante que percebamos a intenção de Jesus: a continuidade do IDE. Não fosse isso, e tudo se resumiria a um mandamento para um grupo específico, temporal e alocado a um espaço. Seriam aqueles discípulos os incumbidos de cumprirem o mandamento, e somente eles. Os atraídos pela mensagem se somariam a um grupo de espectadores e seguidores apenas. Mas sabemos que não é isso!

O grande significado da mensagem de Jesus nesta ordem está em que todo o processo construa na vida dos novos convertidos o mesmo impacto da ordem dada aos discípulos e, assim, os aderidos ao Evangelho seriam os propulsores que levariam a mensagem ainda mais longe. É preciso compreender que se chegou até nossos dias é porque, de alguma maneira, homens compreenderam esta essência e foram além de si mesmos, aliás, muito sangue foi oferecido no altar para que nos chegasse o Evangelho da salvação.

Entretanto, podemos refletir sobre dois aspectos: a mensagem que atrai para a salvação é complementada com todos os princípios bíblicos para levar à ação de propagação deste Evangelho, por parte daqueles que o receberam, para quantos puderem alcançar, e assim, estes outros, de igual maneira, são impactados. Então, (1) por que existe inação, na maioria das vezes, daqueles que são os novos receptores das Boas Novas, e só uma minoria cumpre o ciclo virtuoso? e, (2) estaria na forma errada, equivocada, incompleta, rasa, desvirtuada, indireta, displicente de ENSINAR?

Vejamos que o ato de ensinar não é levar a pessoa a adquirir mero conhecimento pelo aprendizado, mas "ensinando-os a obedecer a tudo o que eu ordenei a vocês", enfim, o propósito de ensinar está na OBEDIÊNCIA do aprendiz. Assim, de duas uma (ou as duas!): ou (1) não estamos ensinando do jeito certo, ou (2) existe uma desobediência maior nos novos convertidos, já desde o novo nascimento, e não estamos conseguindo lidar com isso. Pior será se estivermos ensinando errado para pessoas desobedientes!

Enfim, o primeiro desafio dos quatro princípios está no último princípio: Ensinar ao novo convertido a obedecer aos mandamentos. TODOS, inclusive o IDE.

 

 

VIII – A estratégia 4x4x4 para a Plantação de Igrejas




"Foi ele quem "deu dons às pessoas". Ele escolheu alguns para serem apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e ainda outros para pastores e mestres da Igreja. Ele fez isso para preparar o povo de Deus para o serviço cristão, a fim de construir o corpo de Cristo. Desse modo todos nós chegaremos a ser um na nossa fé e no nosso conhecimento do Filho de Deus. E assim seremos pessoas maduras e alcançaremos a altura espiritual de Cristo."
Efésios 4:11
-13 NTLH

Sabemos que a melhor estratégia é aquela que pode ser duplicada com facilidade. Portanto, o 4x4x4 é o que consideramos simples e duplicável.

Basicamente, são 4 fases seguidas de 4 métodos por 4 anos.

Nesta simples fórmula, o menos importante é tornar rígido o tempo de aplicação (4 anos); ele será apenas uma referência para uma avaliação. O importante é focar nas Fases e Métodos; estes sim, são parceiros inseparáveis. Vamos entender esta fórmula.

4 FASES

Fase 1 - Evangelização pessoal

Fase 2 - Implantação dos Ministérios

Fase 3 - Abertura dos Núcleos de Estudo da Bíblia

Fase 4 - Definição do Ponto de Pregação

 

4 MÉTODOS

Método 1 - Discipulado

Método 2 - Capacitação

Método 3 - Ensino

Método 4 – Liderança

 

4 ANOS

É apenas uma referência de tempo que permite a cada ano fazer uma avaliação do Projeto para uma melhor percepção do seu desenvolvimento.

Atenção:

É imprescindível que cada Fase seja acompanhada de um Método. Assim temos:

Ano 1 - Evangelização e reunião nos lares com Discipulado.

Ano 2 - Implantação dos Ministérios com Capacitação.

Ano 3 - Abertura dos Núcleos de estudo da Bíblia com o devido ensino aos alunos e aos professores.

Ano 4 - Definição do Ponto de Pregação com o estabelecimento de Liderança.

 

Precisamos destacar alguns pontos importantes:

As duas famílias-bases, identificadas na igreja-mãe, já passaram por exaustivo treinamento e capacitação para este projeto.

Não estamos falando de um sistema tradicional e histórico de Pequenos Grupos, ou Grupos familiares. Aqui não tem a participação de outros membros da igreja-mãe, quando muito do pastor e Presbíteros da igreja.

Os líderes desta base (por isso Projeto Base) têm todas as informações anotadas em relatórios e apresentados em reuniões com a liderança da igreja-mãe em períodos regulares, que eu sugiro ser na primeira quinzena do mês subsequente ao mês de trabalho na Base.

Todos os estudos bíblicos já devem estar montados pela igreja-mãe, assim como preparação em métodos evangelísticos diversos, e material de revistas da Editora Cristã Evangélica para o Discipulado nas Revistas Começando a Vida Cristã 1 e 2. As famílias líderes devem receber todo este material no seu treinamento. ATENÇÃO: Não podem os líderes seguirem seu próprio currículo com os novos convertidos.

A integração no convívio da igreja-mãe deve ser sensível ao melhor momento, sem pressão sobre o novo convertido, lembrando que seu ambiente seguro é o núcleo de convivência na Base.

 

 

IX – Plantar igrejas sem dinheiro, sem pastor e sem templo




"Eu, Paulo, e Timóteo, servos de Cristo Jesus, escrevemos esta carta para todos os moradores da cidade de Filipos que pertencem ao povo de Deus e que creem em Cristo Jesus e também para os bispos e diáconos da igreja."
Filipenses 1:1 NTLH

10 anos após passar por Filipos e pregar o Evangelho deixando os novos convertidos Lídia e o carcereiro com suas famílias e, possivelmente, a jovem liberta dos espíritos, o apóstolo Paulo escreve esta epístola agora a uma igreja com líderes e liderados. O apóstolo não ficou ali pastoreando e ensinando por todos estes anos. Assim, entendemos que o Evangelho se expandiu naquela cidade pela iniciativa daqueles primeiros convertidos.

Em algumas estratégias de plantação de igrejas a figura do Pastor é imprescindível para seu início. Desta forma, a demanda por recursos financeiros é vital, não apenas para sua manutenção e moradia, como também para o local das reuniões, que requer ou uma casa de grandes proporções ou um local específico para os cultos elevando as despesas sobremaneira e inibindo novos Projetos de plantação de novas igrejas, visto que as igrejas já estabelecidas, em muitas situações, lutam com suas finanças para manterem-se vivas, quanto mais pensarem em um novo investimento.

Então, o PBPI projeta o local definitivo para cultos, construído ou locado, apenas para depois de completadas algumas fases (descritas no capítulo Estratégia 4x4x4 para a Plantação de Igrejas).

Também, o obreiro pastor é vislumbrado para depois de algumas destas etapas; se antes, durante ou depois da definição do local de cultos não é o mais importante, desde que se cumpram as fases iniciais.

É depois do 5°. ano que o maior investimento financeiro será necessário. Desta forma, a igreja-mãe ou a liderança denominacional percebe que o custo de uma nova igreja se torna muito menor ou, simplesmente, inexiste, pois haverá todo um resultado de novos crentes participativos e atuantes, que se envolverão no custo financeiro desta etapa com seus dízimos e ofertas.

Aliás, durante as fases se estabelecendo, este custo financeiro da plantação de uma nova igreja não recai, em momento algum, sobre a igreja-mãe ou liderança denominacional. Tudo é feito com os recursos advindos da própria igreja plantada com os novos convertidos.

O início é feito com apenas 2 famílias de crentes sadios e maduros na fé. Uma família sendo líder com mais uma de apoio. Eles são da igreja-mãe.

Trabalham, estudam, moram, relacionam-se, passeiam, adoecem ... Enfim, vão realizar o trabalho sem deixar de terem suas próprias vidas, no tempo que determinarem para aplicarem cada fase e método relacionado. Não recebem por isso. Investem o que são e o que têm para a expansão do Evangelho. Transferem suas experiências para os novos convertidos e estes crescem na vida cristã e nas suas responsabilidades por seguirem o exemplo dos membros mais experimentados e que lideram o trabalho.

Sobre a seleção e preparo das duas famílias trataremos em um capítulo específico.

Em resumo, a plantação de uma igreja pelo PBPI segue a seleção de 2 famílias, sendo 1 família líder e a outra de apoio. Seguem as fases explicitadas. Arrebanham novos convertidos e os envolvem responsavelmente nos trabalhos da nova igreja e causam a integração destes na membresia da igreja-mãe. Investem o que têm e realizam dentro deste potencial seguindo as fases e ampliando gradativamente as iniciativas. Não há dependência financeira da Igreja-mãe ou liderança denominacional para o desenvolvimento das fases. Depois de completadas as fases, determinam despesas com obreiro pastor e local definitivo de culto procurando, de todas as formas, não depender para isso de qualquer investimento de outros.

Isto soa agressivo demais aos nossos ouvidos educados denominacionalmente para considerarem que a abertura de uma igreja precisa do engajamento da MEAN e da MEAR, com o investimento financeiro para aquisição de imóvel e implantação por pastor local. Como já mencionei, os caminhos são variados e não devemos nos deter na análise do que já está sendo feito historicamente. Meu esforço é para uma nova proposta. Haverá aqueles que se enraizarão no processo mais histórico, porém estou propondo um caminho novo.

O PBPI concebe a abertura de igrejas prioritariamente por famílias de membros e líderes locais não impedindo que pastores venham a participar deste formato. Mas eu reafirmo que a ICEB precisa, sem renunciar a conceitos históricos que ainda funcionam, olhar para dentro de suas igrejas locais e ver o melhor que temos: famílias de crentes saudáveis na fé que, repetidamente, só estão engajados nos trabalhos locais. A separação destas famílias para o convencimento da expansão do Evangelho pela plantação de uma nova igreja irá potencializar o crescimento numérico e de igrejas da ICEB. Em uma década poderemos saltar, em bom percentual de crescimento, do patamar que nos encontramos hoje.

Concordo que é difícil pensar numa ideia tão diferente do que praticamos há anos, mas é imprescindível que, ao menos, sejam abertos diálogos e análise desta possibilidade. Eu sei que isso traz resultados surpreendentes pois experimentei na prática, mas o que importa agora é que percebamos que há nesta proposta uma Eclesiologia saudável e bíblica, embora assimétrica da cultura denominacional.

Falando assim, tudo parece tão fácil e superficial. De jeito nenhum! Requer uma visão completa do projeto, quando todos os princípios são cuidadosamente aplicados e continuamente acompanhados.

 

 

X – A importância da Igreja-mãe na plantação de igrejas




“Essas notícias chegaram à igreja de Jerusalém, que resolveu mandar Barnabé para Antioquia. Quando chegou lá e viu como Deus tinha abençoado aquela gente, Barnabé ficou muito alegre. E animou todos a continuarem fiéis ao Senhor, de todo o coração. Depois Barnabé foi até a cidade de Tarso a fim de buscar Saulo. Quando o encontrou, ele o levou para Antioquia. Eles se reuniram durante um ano com a gente daquela igreja e ensinaram muitas pessoas. Foi em Antioquia que, pela primeira vez, os seguidores de Jesus foram chamados de cristãos.”
Atos 11:22
-23, 25-26 NTLH

É imprescindível que uma nova Igreja tenha o cuidado devido, desde seu nascedouro até sua fase adulta e multiplicadora. O cuidado deve vir de uma igreja madura estabelecida e com visão de multiplicação.

É desta igreja que sairão as duas famílias líderes para uma nova igreja, conforme capítulo publicado PLANTAR IGREJAS SEM DINHEIRO, SEM PASTOR E SEM TEMPLO. Antes, serão treinadas especificamente para este Projeto de Plantação. Certamente devem vivenciar sua vida cristã de modo vibrante no seio da Igreja.

Igrejas não foram chamadas para crescerem, mas para multiplicarem.

Estamos vivenciando um fenômeno diferente no seio de nossas igrejas. Elas querem crescer numericamente, acumular membros, aumentar os templos, concentrar líderes. Mas não fomos chamados para isso. O “Ide de Jesus” é claro e incisivo. O kerigma, isto é, a proclamação da mensagem salvadora do Evangelho, não é para concentrar conversos num mesmo lugar, mas para espalhar o Evangelho através de cristãos que se espalham.

Não quero aqui esticar o mérito da discussão de decisões da concentração de membresia, mas tratar de Plantação de Igrejas. Sobre concentração de membresia e suas consequências tratei no capítulo AUTOFAGIA ECLESIÁSTICA.

É na igreja-mãe que serão integrados os novos convertidos, serão batizados, ganharão acolhida, conhecerão crentes maduros, saberão da organização eclesiástica, serão integrados em intercâmbios e retiros, participarão de treinamentos e cursos. É na igreja-mãe que os líderes do Projeto são pastoreados e edificados, onde receberão direção e correção. É da igreja-mãe que advém a doutrinação e a disciplina. O pastor e a liderança espiritual precisam estar cientes do andamento do trabalho e serem próximos o suficiente para guiarem o novo rebanho.

Obreiros pastores, educadoras cristãs e missionários, com perfil de plantadores de igrejas e que tenham condições de levantarem seu próprio sustento, também podem abrir diretamente uma nova igreja nestes moldes apresentados, mas devem receber todo o apoio de suas lideranças para logo serem “adotados” por igrejas-mães motivadas e designadas pela liderança denominacional, que cumpram os desígnios que lhes cabem nesta expansão do Evangelho.

A liderança denominacional deve ser a maior interessada em aproximar o obreiro pastor com este perfil de uma igreja que lhe conduza como igreja-mãe. A liderança denominacional deve cumprir seu papel de facilitadora deste processo, para que não pairem dúvidas sobre a integração do ministério destes obreiros sem igreja estabelecida e que têm potencial para serem plantadores de novas igrejas.

Assim, conseguiremos em poucos anos, promover uma transformação em igrejas sólidas e grandes, levando-as à visão de multiplicação, sem ofender agressivamente sua zona de conforto por anos regida pelo crescimento de concentração de membros, ao mesmo tempo que fomentaremos a devida responsabilidade de que os cuidados de uma nova igreja são enriquecedores e vibrantes para a vida de uma igreja madura. Estas serão espelho para as novas igrejas que virão.

E estas novas igrejas transmitirão visão multiplicadora e de cuidados que receberam. Isso criará, em algumas décadas, um ambiente denominacional irreversível quanto ao crescimento numérico de Igrejas e de novos convertidos.

Onde estão estas igrejas na ICEB? Precisamos destacá-las, nominá-las. Essas que multiplicam uma eclesiologia saudável, que tem histórico de expansão de igrejas, que investem em novos trabalhos, que têm aberto novos trabalhos, que fizeram e fazem a história de plantação de igrejas na ICEB. Essas igrejas precisam ser evidenciadas para servirem de estímulo às outras, para que todos saibam que este mandamento continua vivo entre nós. Se não forem conhecidas estas igrejas, talvez pensemos que o normal é não abrir, não cuidar, não investir. Onde estão estas igrejas na ICEB?

Jesus nos chamou para cumprirmos o seu IDE.

Quero concluir estes tópicos levando nossa visão e ação diante do bom Deus, que é o Senhor da obra. Ele nos conduzirá com sucesso para podermos glorificá-lo em tudo.

Amém.

 

 

 

 

 

Categoria:eBOOK

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